Teoria do Direito

A linguagem e as “obrigações” da atividade jurídica

A linguagem e as “obrigações” da atividade jurídica

No post anterior mostrei como funcionava a atividade jurídica dos romanos, a iurisprudentia. Argumentei que ela era uma atividade fundamentalmente escrita. Mas não pense que isso era apenas na época dos romanos. Agora, na era da internet, ainda temos uma cultura jurídica da escrita. É notório como a modernidade não modificou o saber jurídico neste ponto. Tanto é que a relação entre o direito e a linguagem é um dos temas mais importantes da própria filosofia do direito. E não é à toa. Afinal, em Continue lendo

Como funcionava o DIREITO ROMANO?

Como funcionava o DIREITO ROMANO?

Olá, Jovem Jurista! Hoje vou falar um pouco sobre como funcionava o Direito Romano, que foi o povo que criou o próprio direito como nós o conhecemos. Diferentemente das experiências jurídicas gregas, onde o direito era conduzido por jurados que, em geral, eram leigos e, como tais, em razão da democracia ser direta, não poderiam contratar representantes para defender seus problemas, o que fazia com que todo cidadão ateniense fosse obrigado a saber defender suas pretensões em público[1], em Roma o direito já era profissionalizado, Continue lendo

E-book: “Teoria Pura do Direito [1] – Contexto histórico de Hans Kelsen”

E-book: “Teoria Pura do Direito [1] – Contexto histórico de Hans Kelsen”

Olá, Jovem Jurista! Se tem uma obra ou um autor que são mencionados exaustivamente na Faculdade de Direito, esta obra é a Teoria Pura do Direito e este autor é Hans Kelsen. Muitos dos conceitos de teoria do direito aprendidos no início da Faculdade podem ser vistos nesta obra, como, por exemplo, as noções de validade, vigência e eficácia; a diferença entre direito e moral; a ideia de norma jurídica; a diferença entre estática e dinâmica jurídicas; a diferença entre interpretação autêntica e não-autêntica etc. É por isso Continue lendo

O que foi a Escola da Exegese?

O que foi a Escola da Exegese?

Olá, Jovem Jurista! Uma das Escolas de interpretação jurídica mais conhecidas é a Escola da Exegese.  Ela é conhecida pelo formalismo jurídico e pela ideia de que os juízes não poderiam interpretar a lei, apenas aplicá-la. Ela  surgiu como consequência da Revolução Francesa e do racionalismo iluminista. Entender, portanto, esse contexto é fundamental para compreender as ideias desta escola. Se você precisa deste conteúdo, este post pode ser muito útil. Vamos começar com uma contextualização e depois passaremos às características desta escola jurídica. ILUMINISMO COMO RACIONALISMO Continue lendo

[Blog na Mídia] Resenha do livro “O fim do Estado de Direito” foi publicada no site da Universidade de Bruxelas

[Blog na Mídia] Resenha do livro “O fim do Estado de Direito” foi publicada no site da Universidade de Bruxelas

Olá, Jovem Jurista. Pela primeira vez minhas publicações excedem a América Latina. No caso, a resenha que fiz sobre o livro “O fim do Estado de Direito”, de Benoit Frydman, foi publicada no site do Centre Perelman de Philosophie du Droit, da Universidade de Bruxelas. Publicaram sem me avisar. É a internet. O vídeo que eu gravei em Nova York sobre a obra também foi citado.

“O fim do Estado de Direito”, de Benoit Frydman | Aula 98

“O fim do Estado de Direito”, de Benoit Frydman | Aula 98

Os trabalhos de pesquisa do Prof. Benoit Frydman, um dos maiores teóricos da Escola de Bruxelas, conhecida pela abordagem pragmática e interdisciplinar, investigam os efeitos da globalização sobre o Estado, as instituições jurídico-políticas e, mais propriamente, no caso desse livro, sobre as transformações porque passa as fontes do direito. Essa transformação é advinda de vários campos, como a internet, o meio ambiente, a propriedade industrial, os contratos internacionais, as patentes etc., campo abrangente que o autor chama de ONNI – Objetos Normativos Não Identificados. Em Continue lendo

Métodos clássicos de interpretação

Métodos clássicos de interpretação

*Aulas gravadas no ano de 2014. Aula 1 – MÉTODO GRAMATICAL   Aula 2 – MÉTODO LÓGICO   Aula 3 – MÉTODO SISTEMÁTICO   Aula 4 – MÉTODO HISTÓRICO   Aula 5 – MÉTODO SOCIOLÓGICO *** BLOG SUSTENTADO PELOS LEITORES. Se este post lhe ajudou, ajude financeiramente o blog a produzir conteúdos de forma independente. Clique no botão abaixo para doar qualquer valor ou deposite diretamente na minha conta: Ronaldo Carvalho Bastos Junior, Banco do Brasil, Agência 3056-2, Conta Corrente 20.605-9, CPF: 066.268.414-16😉

Aplicar o direito é descobrir a “vontade da lei”? Analisando três respostas | Blog Ronaldo Bastos

Aplicar o direito é descobrir a “vontade da lei”? Analisando três respostas | Blog Ronaldo Bastos

O objetivo deste post é mostrar como a ideia de que o papel do juiz, ao decidir, é descobrir a “vontade da lei” é uma ideia ultrapassada, ao menos da perspectiva da hermenêutica jurídica contemporânea. Segundo Ovídio Baptista, esta ideia provém do paradigma racionalista, que busca, em primeiro lugar, enquadrar o direito no âmbito das ciências naturais (o que implica em pensar o direito a partir dos métodos destas ciências não-jurídicas) e, em segundo lugar, pretende impedir que o jurista – mais precisamente o juiz Continue lendo

Por que o direito exige a representação de profissionais especializados, os juristas? | Blog Ronaldo Bastos

Por que o direito exige a representação de profissionais especializados, os juristas? | Blog Ronaldo Bastos

Atualmente, tanto no âmbito do direito quanto da filosofia política, não existem muitos autores que criticam a formulação que conjuga o conceito (radical) de democracia com o de direito. Porém, ao menos sob uma interpretação histórica, existem uma série de elementos teóricos que ajudam a problematizar esta ligação. Assim, antes de pensá-los (direito e democracia radical) como conceitos inseparáveis, pode-se pensá-los como estruturas mais contraditórias do que conciliatórias. É isso que este post, em tom provocativo, pretende fazer. E farei mostrando que o direito só Continue lendo